segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA: UMA TEIA DE EQUÍVOCOS


Por: Dr. Sérgio Toste (1)

Reconheçamos: este é um ano triste para os monárquicos e confrangedor para quem tenha uma visão lúcida da História nacional. Iniciaram-se as comemorações dos golpes e atentados republicanos desde os finais do século XIX até ao 5 de Outubro de 1910. Claro que é razoável defender-se o sistema republicano, mas não creio que o seja celebrar a República como a tivemos. Estas comemorações têm aquele amargo sabor da velha propaganda republicana, reincidem num vezo panfletário que, no mínimo, oculta a verdade.
Confundir Monarquia com Ditadura e promover a analogia do 5 de Outubro com o 25 de Abril não passa de retórica manca. É esquecer, de propósito, que o 5 de Outubro inaugurou um período violento, intolerante, sanguinário. É esquecer que a I República foi um regime persecutório, caluniador, ferozmente ateu, e, afinal de contas, indigno de qualquer celebração. Creio que um dos grandes equívocos deste centenário é ocultar o facto de a nossa Democracia pós-25 de Abril ter muitos mais aspectos em comum com a Monarquia Constitucional derrubada pelos republicanos do que com a I ou II República. Em Portugal, a Democracia nasceu com a Monarquia, não com a República.
Além do mais, é profundamente enganador ver a História de Portugal como um longo período de trevas à espera das luminárias (bem explosivas) da República. Portugal foi feito pelos seus Reis e pelo seu Povo. Os nomes de D. Afonso Henriques, D. João I, D. Manuel I e de D. Carlos, esse grande estadista vítima da calúnia e do terrorismo republicano, deviam bastar como prova.
Hoje, de forma serena mas persistente, afirmam os monárquicos que eleger o Chefe de Estado de cinco em cinco anos é um exercício perdulário e inútil. Podemos ficar felizes com a nossa crescente galeria de ex-Presidentes (que vivam muito anos!), mas resulta claro que tudo isto é muito mais ilógico do que a sucessão hereditária, devidamente integrada numa constituição. Basta pensarmos na “patriótica” campanha de Manuel Alegre já iniciada, para percebermos instabilidade do regime.
Num sistema de governo que depende dos partidos políticos – como os monárquicos querem que continue a ser –, um Rei é a melhor garantia de que o Chefe de Estado é isento. Um Rei, por não ter de se submeter ao desgaste eleitoral, é a garantia de que o País não depende inteiramente da retórica nem dos jogos de poder. Nós, monárquicos, afirmamos essencialmente isto: o Rei é o melhor guardião da res publica e significa um fundamental elemento de estabilidade. Um Rei não depende dos interesses coligados, não depende da eficácia das campanhas. Um Rei significa a dedicação de uma vida ao serviço do bem comum, precisamente porque não governa, mas guarda a unidade.

1 de Fevereiro de 2010, no 102.º Ano da Morte de S. M. El-Rei D. Carlos e de S.A.R. o Príncipe D. Luís Filipe


(1)-sergiotoste@gmail. com, Secretário da Real Associação da Ilha Terceira

2 comentários:

PPA disse...

100% de acordo com este post.

Parabéns pelo V. excelente blogue.
De interesse e, portanto, a seguir!

Saudações e respeitosos cumprimentos,

PPA.

http://incuriadaloja.blogspot.com/

Bagos disse...

Varo PPA

Agradecemos as suas simpáticas palavras e volte sempre.

Saudações