segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ciclo do Espírito Santo (16)


A Coroação da “Imperatriz” Sofia

Vestes brancas, várias coroas e um só Espírito  






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domingo, 29 de maio de 2011

Ciclo do Espírito Santo (15)


“Levando o Senhor Espírito Santo à Igreja”

 “As festas do Espírito Santo enchem a Primavera das ilhas de um movimento fantástico, como se homens e mulheres, imitando os campos, florissem. Da Páscoa ao Pentecostes e à Santíssima Trindade, são sete semanas ou oito semanas de ritos de uma espécie de florália cristã adoptados à vida da lavoura, dos pastos carregados de humidade e de trevo no meio das escórias de lava (…). Desde logo, nota-se a importância do clima atmosférico no ser açoriano e na sua religiosidade: nebulosidade e precipitação frequentes, ventos fortes e mar alteroso, humidade de “engordar pastos”, vulcanismo, etc.”
 Vitorino Nemésio 
No livro de Aurélia Armas Fernandes/ Manuel Fernandes, “Espírito Santo em Festa” p. 99



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XV Jeux des Iles - Sicilia 2011


Decorreu em Palermo (Itália) de 24 a 28 de Maio pp, a XV edição dos Jogos das Ilhas - Sicília 2011

Os Açores estiveram representados com 75 atletas nas modalidades de Atletismo, Basquetebol, Judo, Natação, Ténis, Ténis de Mesa, Vela e Voleibol.

Após o fecho da 3 jornada de atletismo, o palmarés da comitiva açoriana, nos XV Jeux des Iles, na Sicília, foi o seguinte:

-        Carolina Morais (1.º - martelo) – Ilha Terceira
-       Carolina Morais (3.º - disco) – Ilha Terceira
-        Cristiana Silveira (1.º - triplo salto) – Ilha Terceira
-        Cristiana Silveira; Thais Mendes; Cátia Silva; Bebiana Furtado (3.º - 4x100m)
-         Isabel Silva (2.º - 3000m) – Ilha Terceira
-         João Raposo (1.º - comprimento) – Ilha São Miguel
-        João Raposo (2.º - altura) – Ilha São Miguel
-        João Raposo (3.º - 400m Barreiras) – Ilha São Miguel
-         Pedro Aguiar (2.º - martelo) – Ilha Terceira
-         Rodrigo Lima (2.º - dardo) – Ilha São Miguel
-         Thais Mendes (2.º - comprimento) – Ilha São Miguel

Em termos colectivos:

-         Femininos (4.º)
-         Masculinos (3.º)
-         Geral (3.º)

A delegação açoriana regressa a Portugal esta madrugada após a cerimónia de encerramento.

Fonte: Professor Ricardo Matias

sábado, 28 de maio de 2011

Ciclo do Espírito Santo (14)


Aquando da erupção vulcânica de 1761 no sítio do Mistério Velho, por detrás dos Picos Gordos, muitos biscoitenses saíram em procissão com a Coroa do Espírito Santo em direcção ao fogo da segunda explosão, mais precisamente da corrente de lava que vinha para o Juncalinho, “engolindo” 27 casas (1), onde hoje se situa a Canada do Mistério.

Segundo alguns moradores mais antigos, “todos os anos durante extracção dos pelouros (sorteio) realizado à porta do Império é contemplado um morador da referida Canada (Rua) com a Coroa do Senhor Espírito Santo”. Aliás, é o caso da novel “Imperatriz” Sofia Soares que organiza amanhã a Coroação.

“Desde há vinte e sete anos que moro aqui e todos os anos a Coroa do Senhor Espírito Santo sai para a Canada do Mistério”, afirmou-nos a Sr.ª Glória, avó de Sofia Soares.


(1) Existem ainda vestígios de casas soterradas por essas lavas a merecerem melhor atenção…

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A ALCATRA É UMA ESPECIALIDADE TERCEIRENSE QUE HONRA PORTUGAL INTEIRO (3)


Freguesia da Serreta – Restaurante típico “Ti Choa

O sabor e o perfume da Alcatra


Pão, carne e vinho… o sabor e o perfume da Alcatra da ilha Terceira instalaram-se agora nos hotéis. «É uma sinfonia de sabores e de perfumes» - disse, por ocasião da Cimeira Nixon – Pompidou-Marcelo Caetano, o director da United Press International – Aldo Tripinni. 

Para uma Alcatra, um bom vinho dos Biscoitos, a mini-região do velho Verdelho. Conhecidos os vinhos de Manuel Maria Brum, Linhares dos Santos e Luís Lima. 

Vencedor do Concurso de Cozinha Regional da Filotel, realizado no Teatro Culinário do Centro Nacional de Formação Turística e Hoteleira, o cozinheiro José Rufino Gouveia exibe, já no Hotel de Angra, o resultado da Alcatra (receita da estalagem da Serreta). «Pão de Mesa», um alguidar de barro grosseiro sobre prato de louça regional – um quadro da cozinha regional da ilha Terceira com a «Alcatra».
In “Banquete” – Revista Portuguesa de Culinária

Nota: O Hotel de Angra e a Estalagem da Serreta pertenciam à mesma Sociedade (TUROTEL- TURISMO E HOTEIS DOS AÇORES, S.A.).

A Alcatra foi a “1ª Maravilha” do ano de 2007, no Concurso de Gastronomia Regional Portuguesa ver aqui 

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Prinsendam

Com bandeira dos Países Baixos esteve ontem atracado ao porto da Praia da Vitória o elegante navio de passageiros Prinsendam (204 metros de comprimento), pertencente à Holland America Line.

Os cerca de 800 passageiros, aproveitando o esplendoroso dia de Primavera, tiveram a oportunidade de visitarem alguns locais da ilha Terceira.

Também o "Kristina Katarina", referido aqui, se encontrava acostado aquele porto dos Açores.

Muitos dos passageiros entraram no território “Da Resistência” degustando o “Chico Maria”, um descendente directo do vinho da Rota das Índias ou das Especiarias.



terça-feira, 24 de maio de 2011

Ciclo do Espírito Santo (13)


Terminada a cerimónia da Coroação na Igreja seguiu-se a arrematação das “promessas” (massa cevada, Sopa, Alcatra, Vinho). É então reorganizado o cortejo rumo a casa do novo Imperador/Imperatriz onde as insígnias (as coroas e bandeiras) do Divino Espírito Santo permanecerão durante uma semana. Posteriormente decorreu o tradicional jantar, estando presentes o Senhor Espírito Santo, o “Imperador” e a “Imperatriz” e convidados.






segunda-feira, 23 de maio de 2011

Ciclo do Espírito Santo (12)


Depois de uma semana de grande azáfama na casa do “Imperador”, neste caso do agualvense Isidro Nunes, com residência nos Biscoitos, é chegada a hora de organizar a “coroação” a fim de "levar o Senhor Espírito Santo à Igreja" do Imaculado Coração de Maria. Aliás, uma festa em honra ao Divino onde foram usados ritos e cerimónias característicos da freguesia de Agualva. 




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domingo, 22 de maio de 2011

Ciclo do Espírito Santo (11)


 A “Coroação” dirigindo-se para a Igreja Matriz de São Pedro dos Biscoitos

“O cortejo da “coroação” era antigamente acompanhado pela “folia”, composta de três “foliões” (bobos da corte) vestidos de opas de ramagens, um dos quais empunha uma bandeira e outro um tambor. Tamborilando a compasso, entoam a melopeia de fundo litúrgico que conduz o cortejo, e, durante o jantar da “função” (preparado pela “mestra da função”), mandam servir, cantando, protocolarmente, os pratos, cujas porções de carne são divididas pelo “trinchante”.”Ter o Senhor Espírito Santo em casa” é uma alegria e uma honra.”
In A Festa nos Açores – 1992- de Francisco Ernesto de Oliveira Martins

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CU3DX/P nos Biscoitos

Como já referimos aqui, o AZORES DX GROUP activou o Império do Espírito Santo do caminho do Concelho e a Ermida do Espírito Santo.

Quatro membros da Associação CU3DX/P, nomeadamente Manuel de Oliveira, Alberto Pires, Leonel Ávila e Paulo Pereira, estiveram durante o dia ontem, em grande actividade na freguesia dos Biscoitos, concelho de Praia da Vitória, num intercâmbio técnico e cultural com outros radioamadores localizados na Suécia, Rússia, Holanda, Espanha, Reino Unido, Itália, Suíça, Alemanha, Ucrânia, Grécia, Bulgária, Polónia, Áustria, Luxemburgo, Estónia, Noruega, Ceuta, Turquia, Tobago, Brasil, Paraguai, Venezuela, Estados Unidos da América, Tailândia, Arábia Saudita, entre outros.

O papel dos radioamadores na defesa e segurança das populações é por demais reconhecido. E os açorianos bem o sabem, principalmente quando as “comunicações das últimas gerações” se calam perante as catástrofes que lhes “batem à porta”…

 Manuel de Oliveira junto da Ermida do Espírito Santo

 Alberto Pires a poucos metros da Ermida

 Leonel Ávila junto do Império do Espírito Santo do caminho do Concelho


sábado, 21 de maio de 2011

A ALCATRA É UMA ESPECIALIDADE TERCEIRENSE QUE HONRA PORTUGAL INTEIRO (2)

Continuação do anterior

Alcatra do “Ti Choa” (Serreta)

AS CONSTANTES DA ALCATRA E AS DIVERSAS RECEITAS

É sobre elementos documentais antigos que “Banquete” fornece uma informação acerca do focado prato regional Alcatra da ilha Terceira, pelo qual um cozinheiro de Angra do Heroísmo (Hotel de Angra) obteve o primeiro prémio no Concurso de Cozinha Regional Portuguesa promovido pelo Centro Nacional de Formação Turística e Hoteleira dentro do programa da Filotel- 1972 e realizado no Teatro Culinário da F.I.L..

A documentação procede do velho Solar da Madre de Deus – uma serena Casa-Solar angrense, setecentista, armoriada e com capela, extensos andares térreo e nobre, série de janelas sobre vasta panorâmica da cidade, do Monte Brasil e do mar, tendo à frente largo pátio de carros.

Os anos amontoaram nessa casa nobre dezenas de receitas de culinária, pastelaria e doçaria e hoje está a ser organizada por séries essa colecção cujos originais de copiados, serão guardados em arquivo público. 


Só as receitas de doçaria conventual e as que se relacionam com as “funções” do Espírito Santo constituem valores que importa reconhecer, estudar e comparar.
Quanto à Alcatra, existem na colecção do Solar da Madre de Deus seis receitas diferentes apenas nas variantes, sendo as variações absolutamente compreensíveis, uma vez que se conheça a sua proveniência de meios rurais distantes, todos ciosos da tradicionalidade, uns dos outros dentro da própria ilha.

Aliás, sucede o mesmo com o sabor de outros produtos da culinária tradicional terceirense como sejam os produtos de porco, designadamente as morcelas cujo paladar varia de zona para zona.


As receitas que o “Banquete” apresenta são, além da que é praticada na Estalagem da Serreta – a receita da Filotel, portanto a que foi objecto da distinção do cozinheiro premiado -, a das Quatro Ribeiras (ao Norte da ilha); a da Terra Chã e São Bento (nas imediações de Angra); a da cidade (como se faz actualmente no Solar da Madre de Deus), e as de São Sebastião e de Santa Bárbara (a Leste e a Oeste).


“Carne preparada em alguidar (tipo especial terceirense), que vai ao forno de lenha. A carne, da melhor (alcatra com algum lombo e rabadilha), depois de passada por vinho e sal é metida no alguidar com vinho branco (Verdelho) que o ateste e a que se juntou toucinho de fumo às tiras finas ou em pequenos pedaços, banha de porco e/ou manteiga, cebolas às rodelas estreitas e abundantes, alho, pimenta em grão e pau de cravo, uma folha de louro e sal q.b. Coze por horas e há quem a deixe tostar depois da cozedura lenta. É servida quente, a ferver, nos próprios alguidares. 
Mais saborosa ainda quando reaquecida nos dias seguintes. (…)”

In “Banquete” – Revista Portuguesa de Culinária

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sexta-feira, 20 de maio de 2011

AZORES DX GROUP activa Biscoitos


Amanhã, 21 de Maio, a partir das 08H00, o AZORES DX GROUP inicia a activação do Império do Caminho do Concelho e da Ermida do Espírito Santo, na freguesia dos Biscoitos, concelho da Praia da Vitória. Ler mais aqui

quinta-feira, 19 de maio de 2011

KRISTINA KATARINA

Transportando turistas finlandeses e russos deu entrada, hoje às 09h38, no Porto Oceânico da Praia da Vitória o navio de cruzeiros "Kristina Katarina".

O M/S Kristina Katarina pertence à “Kristina Cruises”, empresa gerida há mais de cinco décadas pela mesma família.

Durante a estada na Ilha Terceira visitaram locais de interesse turístico e cultural. Nos Biscoitos entraram em território “Da Resistência”, apreciando o generoso “Chico Maria” produzido e engarrafado na adega da independente Casa Agrícola Brum Lda. (Museu do Vinho). 


Ciclo do Espírito Santo (10)

(o anterior aqui)

Oferecendo o Terço ao Divino Espírito Santo



Nada consta acerca de quem tenha sido o autor do “Modo de oferecer o Terço ao Divino Espírito Santo”, apesar de ter tido já inúmeras edições, sendo até opinião de alguns que o Terço, tal qual se reza nas casas do Espírito Santo, não têm origem canónica, sendo obra de leigos. Compõe-se de um Intróito, como o Rosário de N.ª S.ª e de cinco Ave Marias, seguidos de um Oferecimento. Os Pai -Nosso e as Ave Marias são cantados. Aos cinco Mistérios segue-se a Salve Rainha, em verso, também de autor desconhecido, e cantada por coros alternados de homens e mulheres.

Logo após vem uma Oração à qual se seguia a Ladainha de N.ª S.ª, também cantada. Depois a Antífona e o Hino do Espírito Santo, terminando com uma Jaculatória ao Espírito Santo e à Mãe de Deus, cantada em coro. Ao arbítrio de quem oferece o Terço ficam as Ave-Maria  que é costume pedirem-se pela saúde dos seus defuntos, benditas almas do Purgatório, pelos que andam nas águas do mar, etc.
In Frederico Lopes (João Ilhéu) no Ilha Terceira – Notas Etnográficas 1980.

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quarta-feira, 18 de maio de 2011

A ALCATRA É UMA ESPECIALIDADE TERCEIRENSE QUE HONRA PORTUGAL INTEIRO


Freguesia da Serreta- Restaurante Ti Choa

Com as típicas festas açorianas em honra do Divino Espírito Santo, tão nitidamente marcadas, ainda hoje, por uma ancestralidade de cinco séculos e cujas expressões entroncam nas festas medievais portuguesas e europeias, surgiram as práticas de caridade comunitária em que tudo era conferido “por amor de Deus”.

Em plena abundância de “pão, carne e vinho” e constituindo como que a apoteose da cozinha regional dos Açores num ciclo gastronómico partilhado extensamente, em quantidades e qualidade, por todas as populações – família e família e casa e casa - , a Alcatra é uma confecção culinária de carne, cuja receita, nas suas variantes, se encontra correctamente fixada e se pratica com os necessários requintes para um ponderado sabor, na ilha Terceira. 

Essencialmente, a Alcatra resulta da confecção de uma carne de vaca coberta de vinho e acompanhada de tiras de toucinho de fumo, cebola, alho, louro, e sal, num alguidar de barro grosseiro não vidrado e submetida ao influxo de várias especiarias durante tríplice processo de assamento, coacção e estufamento em forno de pão, aquecido a lenha, e cujo apuramento se garante pela protecção de uma folha vegetal espessa.


Terra eleita de pastagens, ao longo do meio milénio do seu povoamento e desenvolvimento agro-pecuário, a tão verdial Ilha Terceira viveu sempre no orgulho dos pastores de gados de leite e breve. Era e é cada vez mais uma terra em que, na culinária, a carne entrava em qualidade e quantidade.

A Alcatra é prato de “função”, isto é, da lauta refeição servida pelos “imperadores” das festas do Espírito Santo. Impondo-se não só pelas suas qualidades de degustação e de odor esquisito como também pela fartura prestes que representa à mesa, o seu uso alargou-se a festas de índole diversa e, geograficamente, não se cinge à Terceira e aos Açores, pois que o açoriano levou-a aonde quer que vá e com ela preenche a saudade da terra nas grandes festas comunitárias do Espírito Santo na Califórnia, no Brasil, em Angola, na Nova Inglaterra e até na Austrália.

In “Banquete” – Revista Portuguesa de Culinária- 1972.

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Amostra Gastronómica da Ilha Terceira


Domingo, 22 de Maio de 2011, a partir das 16:00.

Local: Sede do Grupo Folclórico e Etnográfico da Ribeirinha "Recordar e Conhecer"
Canada do Lameirinho 70, freguesia da Ribeirinha, concelho de angra do Heroísmo.


Prova de Aptidão Profissional da aluna Diana Machado, do Curso Técnico de Turismo da Escola Profissional da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo.

Programa:

16: 00- Abertura do evento
16:15- Apresentação do evento gastronómico e etnográfico
16:30- Visita guiada pela Sede do grupo Folclórico e Etnográfico da Ribeirinha “Recordar e Conhecer” 
18:00- Prova dos Pratos Típicos da ilha Terceira
18:30- Actuação do Grupo Folclórico da Ribeirinha “Recordar e Conhecer”