terça-feira, 31 de janeiro de 2012

GENEALOGIAS DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

NOVO LIVRO DE JORGE FORJAZ

Jácome de Bruges Bettencourt*

     
    A continuar uma já longa e bem sucedida carreira como genealogista, confirmada por mais de uma dúzia de títulos impressos, com destaque para obras como O Solar de Nossa Senhora dos Remédios (duas edições), Os Monjardinos, Os Teixeira de Sampaio da Ilha Terceira, Famílias Macaenses (três volumes), Os Colaço – Uma Família Portuguesa em Tânger, com futuros lançamentos de Famílias Portuguesas da Ilha de Moçambique e História Genealógica dos Presidentes da República Portuguesa. 

Em colaboração com José Francisco de Noronha, Os Luso-descendentes da Índia Portuguesa (três volumes) e juntamente com António Ornelas Mendes Genealogias da Ilha Terceira (dez volumes) e Genealogias das Quatro Ilhas: Faial, Pico, Flores e Corvo (quatro volumes). Tem mais em preparação, Famílias da Ilha do Fogo e Bissau, bem como Genealogias da Ilha Graciosa, a última de parceria com Luís Conde Pimentel e António Ornelas Mendes, entre outros projectos.

       Para atestar o valimento da obra de Jorge Forjaz, bastará realçar-se o facto de Famílias Macaenses terem merecido o Prémio Fundação Oriente. Depois, ao conjunto Os Teixeira de Sampaio da Ilha Terceira e Os Colaço – Uma Família Portuguesa em Tânger, foi atribuído o Prémio 3º Marquês de São Payo e à obra Correspondência para o Dr. Eduardo Abreu – Do Ultimato à Assembleia Nacional Constituinte (1890-1911), é conferido o Prémio Calouste Gulbenkian.

      É autor de outros títulos no campo da historiografia açoriana, para além de basta colaboração dispersa por revistas culturais e outros órgãos de comunicação social de âmbito nacional e regional. 

       Lembramos, igualmente aqui, os seus tão apreciados programas televisivos, entre os quais Os Açores e o Património, Memórias do Tempo e Os nomes da nossa gente. 

      Foi o primeiro Director Regional dos Assuntos Culturais (1976-1984) e dos mais destacados e operosos ocupantes deste cargo, enfrentando o terramoto de 1980, o melhor que podia. De 1984 a 1988 foi Director do Museu de Angra. Dirigiu o Festival Internacional de Música dos Açores e esteve no Oriente como Secretário-geral do Festival de Música de Macau (1989-1991). Foi requisitado pelo M.N.E. para ser Conselheiro Cultural junto da Embaixada de Portugal em Marrocos e Director do Centro Cultural Português em Rabat (2003-2006), etc, etc.

       Reformou-se como Técnico Superior Assessor Principal da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, isto é, sem sinecuras ou prebendas, do tipo reformas douradas para “gentalha” que navega nas políticas…

      Recebeu, como reconhecimento, certamente pelo seu empenho cultural a Ordem de Mérito, no grau de grande oficial, entregue no Dia de Portugal/2003 em Angra do Heroísmo por Jorge Sampaio, então Presidente da República Portuguesa. Já possuía a Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém (1986). É medalha de Mérito Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, etc.

    Genealogias de São Tomé e Príncipe é uma notabilíssima produção das melhores que fez, apostada no rigor analítico, apoiada numa busca de fontes, sabe Deus, às vezes a quanto custo e insistência, enfrentando más vontades, por parte de quem teria por dever ajudar, não complicando ou dificultando o acesso a informações para enriquecimento de obras como esta.

    Devo dizer, que segundo me disse o próprio Jorge, nos países de expressão lusíada visitados, onde trabalhou em recolhas, sempre encontrou cooperação e simpatia. 

    O volume em referência apresenta 675 páginas, em edição da Dislivro Histórica, com o patrocínio da Embaixada de Portugal (local), IPAD – Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, IC – Instituto Camões, Banco Internacional de São Tomé e Príncipe e Pestana Hotels & Resorts.


    Ao folhearmos Genealogias de São Tomé e Príncipe ficamos logo agradavelmente surpreendidos com o elevado número de imagens, cerca de 230, das roças e seus edifícios, outras casas e relevantes personalidades, pertencentes às famílias portuguesas de origem, incluindo necessariamente as ligadas aos Açores como o caso dos Gamas, que andaram pelo Faial e São Miguel e detiveram uma das mais importantes casas comerciais de São Tomé e Príncipe, dos Silveira e Paulo oriundos do Pico (Santo Amaro) e São Jorge (Urzelina) que “na torna viagem” se fixaram na Terceira. Isto, depois de Domingos Machado Silveira com os irmãos José Jorge, Manuel Jorge, Francisco Jorge e João Jorge, estabelecerem uma sociedade proprietária das roças Urzelina e Colónia Açoriana, com 1530 hectares de plantação, sobretudo produzindo café e cacau, que possuía, inclusivamente, uma linha de ferro privativa com 2 quilómetros. 


    “Os africanos” como eram conhecidos os irmãos Silveira e Paulo, compraram várias casas, quintas e terras na Terceira acabando por construir em Angra e arredores, imponentes casas, como o belo Palacete Silveira e Paulo, hoje sede da Direcção Regional da Cultura, a casa da esquina da Rua do Galo para a Rua da Conceição, agora dos Serviços da Direcção Regional do Ambiente e a imponente Vila Olívia, no Caminho de Baixo que confronta a nascente com a Quinta da Estrela. Curiosamente, existe um postal que identifica esta última como Vila Falcarreira, por Dona Olívia Silveira ter casado, segunda vez, com o primogénito do Visconde de Falcarreira que, ao enviuvar, terá desbaratado a fortuna da mulher, começando por vender este prédio. Outra família ligada aos Açores foi a dos Simas da Graciosa que exploraram a roça André Velho, produtora de cacau. Na casa do Conde de Simas em Santa Cruz da Graciosa, por doação da viúva, está instalada a Câmara Municipal. Estas famílias viveram e trabalharam arduamente, durante bastantes anos, nestas ilhas africanas localizadas mesmo em cima do Equador.

       Nasceram aí, como se constata na presente obra do Jorge, grandes figuras que muito honraram Portugal, provenientes dos Almada Negreiros, Alva Brandão, Belard, Burnay, Carneiro de Sousa e Faro, Fonseca, Fontes Pereira de Melo, França e Almeida, Maçedo e Oliveira, Mantero, Menezes, Monteiro de Mendonça, Pereira da Cunha, Quintas, Sousa e Almeida, Teixeira, Vale-Flor ou Viana da Mota, isto entre os 70 nomes de família aqui fixados. 

        Sem dúvida, o Jorge Forjaz merece, por tudo isto, palavras de apreço, mas quem adquirir o livro ficará, também, de parabéns pela sua qualidade e interesse.

* Cônsul Honorário da República de Cabo Verde nos Açores

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Associações e Cooperativas Micaelenses visitam o Museu do Vinho


     Na companhia de Luís Barbosa, Técnico da Associação de Jovens Agricultores Micaelenses visitaram o Museu do Vinho sustentado, sem tutores, pela Casa Agrícola Brum Lda., Rui Pacheco, Presidente da Cooperativa Profrutos, António Simas, da mesma Cooperativa, e Hélio Carreiro, Presidente da AJAM.

 Ainda em território “Da Resistência” viram típicas curraletas e encontraram-se com o generoso “Chico Maria”.

Calheta - uma das "7 maravilhas – Praias de Portugal"


A Calheta (zona balnear dos Biscoitos, na ilha Terceira) está entre as vinte praias dos Açores nomeadas para o concurso “7 Maravilhas – Praias de Portugal”, na categoria de “Praias de Arribas” 

“Praias de Albufeiras e Lagoas”:

Fajã da Caldeira de Santo Cristo e dos Cubres, Calheta, São Jorge

- “Praias de Arribas”:

Praia do Portinho da Areia, no Corvo
Zona Balnear dos Biscoitos, na ilha Terceira
Praia de Água d'Alto, Vila Franca do Campo, São Miguel
Praia de Santa Bárbara, Ribeira Grande, São Miguel
Praia dos Moinhos, Ribeira Grande, São Miguel
Praia Formosa, Vila do Porto, Santa Maria

“Praias de Uso Desportivo”:

Praia de Santa Bárbara, Ribeira Grande, São Miguel

“Praias Selvagens”:

Ilhéu de Vila Franca do Campo, São Miguel
Lagoa do Fogo, Ribeira Grande, São Miguel
Praia da Amora, Vila Franca do Campo, São Miguel

“Praias Urbanas”:

Praia da Caloura, Lagoa, São Miguel
Praia de Porto Pim, Horta, Faial
Praia do Complexo das Piscinas Municipais das Poças, Ribeira Grande, São Miguel
Praia do Corpo Santo, Vila Franca do Campo, São Miguel
Praia Vinha d'Areia, Vila Franca do Campo, São Miguel
Prainha, Angra do Heroísmo, ilha Terceira
Zona Balnear da Fajã Grande, Lajes das Flores, ilha das Flores
Zona Balnear da Madalena, Madalena do Pico, Pico
Zona Balnear das Lajes, Lajes do Pico, Pico.

Ler mais no jornal A União

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

II Encontro no MAH: Património Religioso, a Conservação e o Restauro





O Museu de Angra do Heroísmo organiza no próximo dia 28 de Janeiro, das 15h00 às 17h30, um encontro rotulado de Património Religioso, a Conservação e o Restauro, no âmbito da dinamização da exposição Santos e Devotos

Local: Auditório do MAH

I Parte do Encontro: Contextos

Abertura pela directora do MAH, Dr.ª Helena Ormonde 

Comunicação da Chefe de Divisão do Património Móvel e Imaterial (DPMI), Dr.ª Andreia Mendes
Conservação e Restauro, experiências do MAH pelo Dr. Francisco Lima, técnico superior do MAH.

II Parte do Encontro: Conservação e Restauro, do diagnóstico à intervenção, alguns casos recentes

Santa Isabel, escultura de vulto pleno, madeira de cedro dourada e policromada, séculos XVII/XVIII, paróquia de Santa Bárbara. Apresentação da responsável pela intervenção, Dr.ª Marta Bretão;

São Mateus, óleo s/ tela, século XVI, paróquia de S. Mateus da Calheta. Apresentação do responsável pela intervenção, Dr. Paulo Brasil;

São Sebastião, exortando a fé dos irmãos Marco e Marcelino, óleo s/ madeira de cedro, século XVI, MAHR1995478. Apresentação do Dr. Raul Gregório, porta-voz da equipa da DPMI que protagonizou a intervenção: Dr.ª Paula Romão, técnica superior; Dr. Raul Gregório, Paulo Dutra e António Neves, assistentes técnicos;

Santa Ágata ou Águeda, óleo s/ tela de linho, século XVII (2.ª metade), MAH R20091608. Apresentação de Eugénia Silva, porta-voz da equipa da DPMI que protagonizou a intervenção: Eugénia Silva, técnica superior; Filomena Lopes, assistente técnica aposentada e Dr. José Guedes da Silva, técnico de diagnóstico de obras de arte.

Fonte: MAH

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Antes e Agora (10)



Derrocada da Igreja durante a reconstrução (após o sismo de 1 de Janeiro de 1980).


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O Fado das Portas – Pavilhão do Mar



   Realiza-se no próximo dia 28 de Janeiro, pelas 21h30, com ceia incluída,  nas Portas do Mar (Pavilhão do Mar) em Ponta Delgada, "O Fado das Portas".

   O evento conta com a participação de António Pinto Basto e de outros fadistas como Piedade Rego Costa, Bárbara Moniz e Paulo Linhares.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Concerto nos Biscoitos



A Liga dos Amigos do Hospital de Angra do Heroísmo promove no dia 22 de Janeiro pf, pelas 17h30, (após a celebração da Missa) um concerto na Igreja Matriz de São Pedro dos Biscoitos. Actuarão os professores músicos do Conservatório Regional de Angra do Heroísmo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Cesária Évora

In Memoriam

* Jácome de Bruges Bettencourt

    Acaba de fazer um mês que a “diva dos pés descalços” disse adeus à vida. Foi, precisamente, no passado dia 17 de Dezembro, na Ilha de São Vicente, em Cabo Verde, na cidade do Mindelo, aos 70 anos de idade, que nos deixou para sempre. O seu funeral foi uma manifestação unânime de pesar, tendo o país, justamente, decretado o luto nacional por quem foi a “rainha ou embaixadora da morna”. 
   O seu funeral realizou-se no dia 20 seguinte e saiu do segundo Palácio Nacional, residência do Presidente da República de Cabo Verde quando está nesta cidade.

   Cize começou a cantar ainda criança, tanto que aos 16 anos já actuava com um grupo de rapazes que tocavam nas ruas do Mindelo, assim como em bares e hotéis da cidade portuária do agora país arquipelágico onde nasceu, que tanto amou e sentia, constantemente, necessidade de voltar, a cada ano, como que a completar uma etapa.

   A música foi uma constante da sua vida. O pai, Justiniano da Cruz tocava cavaquinho, violão e violino, e o irmão Lela saxofone. 

   Mas, só a partir de 1988 começa, verdadeiramente, a sua brilhante carreira de permanente ascensão internacional, isto é, a partir dos álbuns “A Diva dos Pés Descalços” e “Miss Perfumado”. Aos 50 anos, impulsionada, sobretudo, na França, em Paris, sua segunda casa, já que a principal será sempre o torrão cabo-verdiano, que ao chegar ao Mindelo, após uma digressão, repetia a frase: “Aleluia, já fui fazer o que tinha a fazer e já voltei, graças a Deus”.

   Os êxitos repetem-se ao longo de, pelo menos, 24 lançamentos de discos, como “Mar Azul”, “Café Atlântico”, “Voz d’Amor”, “Cesária Évora  à L’Olympia”, “São Vicente di Longe” ou “Nha Sentimento”. Temas celebrizados em mornas de perda, pobreza e imigração, como a tão conhecida “Sôdade”, “Sangue de Beirona”, “Mar Azul”, “Miss Perfumado”, “Dor di Amor”, “Destino Negro” e menos com as ritmadas coladeiras.

   No final dos anos 90, o Presidente da República Portuguesa concede-lhe a grã cruz da Ordem do Infante D. Henrique, já depois de receber a mais importante Ordem da República de Cabo Verde, entregue pelo seu Presidente.

   Em 2004 recebeu o Grammy para o melhor álbum de música do Mundo, com o inesquecível disco “Voz de Amor”. Em França era, cada vez mais, considerada como um ícone nacional. Tanto que, em 2009 o presidente francês Nicolas Sarkozy atribui-lhe a Legião d’ Honra.

   Nomes grandes do panorama cultural de expressão portuguesa como José Eduardo Agualusa, Tito Paris, Mayra Andrade, Lura, Nancy Vieira, Bana, Titina, Mariza, Carlos do Carmo, João Braga, Mário Lúcio, José Maria Neves, Francisco José Viegas, Cavaco Silva, Passos Coelho, entre tantos que são uníssonos, cada um à sua maneira, mas no fundo a afirmar o mesmo: “CESÁRIA KA MORRI!”

   “Quando pensamos em Cabo Verde, seguramente, pensamos em Cesária Évora. E quando as pessoas a ouvem, a referência é Cabo Verde, o que quer dizer que é uma das grandes figuras da nação cabo-verdiana” conforme sublinhou Jorge Carlos Fonseca, Presidente de Cabo Verde. 
Cize declarava-se fã de Amália e dizia que morna e fado eram “irmãos”. 

   A notícia da sua morte mereceu destaque em todo o Mundo. O “El País” enalteceu os mais de 6 milhões de discos vendidos. “ O Globo” lembrou-a como “cantora de amores desfeitos”. Foram às centenas os títulos a mencionar o adeus à vida dessa extraordinária voz cabo-verdiana que agora deixa a “Sôdade” nos milhares e milhares de amigos e fãs espalhados pelo universo. 

   Como foi dito, Cesária Évora a cantora, colocou Cabo Verde no mapa da música Mundial. A morna ficou sem Mãe. Porém, a sua voz era grande demais para o tamanho da Ilha onde nasceu. Ela será eterna. 

As comunidades cabo-verdianas da Terceira e São Miguel, respectivamente, nos passados dias 23 e 22 de Dezembro último quiseram, em requiem, mandar celebrar missas no 7º dia da sua morte, que mereceram em ambos os casos grande participação. 

   Na Terceira seguiu-se um jantar no Restaurante “A Africana” de Dona Néné Furtado, em homenagem a Cesária com evocações à sua vida, que contaram com a colaboração de alguns seus vizinhos “de ao pé da porta”, que com ela e a sua família conviveram na cidade do Porto Grande, como os casos do médico cirurgião Óscar Almeida Reis, que foi companheiro de escola do filho de Cize, ou do engenheiro electromecânico António Neves.

   Cesária adorava a sua família, isto é, os filhos Eduardo e Fernanda, os netos Janete e Adilson e o bisneto Luís.

   Quando a conheci, há anos, no Mindelo, apresentou-nos, com boa disposição a filha.

    Poderia e disso não me esqueço, em finais dos anos 90, quando Cize veio a Ponta Delgada, ter de seguida actuado em Angra, por sugestão nossa à Comissão das Festas Sanjoaninas, que assim não o entendeu. Penso que por ignorância, ou seja, desconhecimento do seu real valor, uma vez que a despesa era praticamente simbólica. 

   Foi uma pena… mas é por factos como este que na opinião de grande parte dos Açorianos, Angra há muito tempo deixou de ser capital da cultura na região. 

* Cônsul Honorário da República de Cabo Verde nos Açores

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Homenagem a Gonçalo Ribeiro Telles



              Apesar de estar a convalescer, na minha casa da Amadora, duma intervenção cirúrgica, no dia 6 de Dezembro último, pude, diga-se com o maior prazer, estar presente naquela que foi uma das maiores homenagens que se fez, em vida, a um politico português.

         O grande auditório da Fundação Calouste Gulbenkian e respectivos espaços circundantes foram pequenos para receber tanta gente, Presentes pessoas de todos os quadrantes políticos e mais diversas ideologias.

            Uma manifestação invulgar e de subido significado que só podia acontecer a uma figura com rara estatura, a todos os níveis, o Gonçalo Pereira Ribeiro Telles.

            Fui, como não podia deixar de o fazer, abraçá-lo, sentindo que este nosso encontro e conversa teve expressivo e mútuo contentamento. Aí vi outro açoriano, o jovem terceirense Luís Fernando Pinheiro Brum, um arquitecto paisagista que, acompanhado de colegas, quis manifestar o quanto admiram o Mestre.

            Comecei a ouvir falar do Gonçalo em 1959, mas só o conheci pessoalmente no inicio dos anos sessenta, por volta de 1963, quando integrei a Secção Liceal de Lisboa da Comissão de Juventude da Causa Monárquica, apresentado a ele por Fernando Amado, ao mesmo tempo que Francisco Sousa Tavares, Henrique Barrilaro Ruas, João Camossa de Saldanha e outros, que de vez em quando participavam em conversas politicas que se faziam no 46, 2º andar do Largo Camões e alternadamente, em dois lugares das imediações, para despiste do pseudo vendedor de gravatas, que não era mais do que um informador da PIDE responsável pela vigilância do que se passava na Causa Monárquica e sobretudo quanto às movimentações desta gente que “ desencaminhava da situação”…

            Iniciei a colaboração em “O Debate” (Lisboa), em 1962. Mais tarde, quando já regressado aos Açores (Faial e Terceira), o Gonçalo punha-me a par da acção da Convergência Monárquica e tempos depois convidou-me para aderir ao P.P.M., partido de que foi co-fundador e liderou com sucesso. Recordo o quanto tornou a instituição monárquica simpática e bem aceite aos portugueses. Nunca mais o P.P.M. voltou a ser o que foi após a sua saída que, aliás, levou consigo imensos militantes, incluindo eu próprio.

        Mas, voltando à grande homenagem, que é o tema deste escrito, ela realizou-se sob o signo: Sabedoria, Coerência, Visão: GONÇALO RIBEIRO TELLES – Um Homem de serviço. A Fundação Calouste Gulbenkian e o Centro Nacional de Cultura, com a colaboração de Aurora Carapinha (hoje catedrática da Universidade de Évora e antiga aluna de G.R.T. na mesma Universidade) foram os promotores desta evocação que se estendeu ao longo de todo esse dia. 

      Na abertura falaram Guilherme d’Oliveira Martins e Emílio Rui Vilar. Depois, sobre O HOMEM ouviram-se declarações de António Barreto, Eduardo Lourenço e Dom Manuel Clemente. Como O POLITICO, falou Augusto Ferreira do Amaral, Luís Coimbra e Diogo Freitas do Amaral. Do O PROFESSOR, dissertou Carlos Braumann, Aurora Carapinha e Ário Lobo de Azevedo. Sobre O VISIONÁRIO, encarregou-se Manuela Raposo de Magalhães, Nuno Portas. Margarida Cancela d’Abreu e Viriato Soromenho Marques. Em tempo de DEPOIMENTOS, depôs Dom Duarte de Bragança, Miguel Sousa Tavares, Pedro Roseta, António Ramalho Eanes, Mário Soares, Francisco Pinto Balsemão, Jorge Paiva, Maria Calado, Alberto Vaz da Silva e outros. 

        Lembramos que o Gonçalo é o único fundador vivo do Centro Nacional de Cultura. Vai completar 90 anos de idade no próximo dia 25 de Maio.

      Antes do encerramento do evento, foi apresentada por Alexandre Cancela d'Abreu uma excepcional fotobiografia do homenageado. Livro que reúne mais de 230 imagens seleccionada pelo seu autor o arquitecto paisagista Fernando Santos Pessoa que compilou e organizou o seu conteúdo, fruto de cuidadosa pesquisa e saber, mostrando sobretudo conhecimento e profunda admiração pelo biografado, não fosse        Fernando S. Pessoa um dos colaboradores mais chegados e admirados por G.R.T..

     Sobre o muito que foi dito refiro apenas o que o Miguel Sousa Tavares escreveu e disse: “Sá Carneiro teve a percepção da necessidade das politicas que G.R.T. defendia há muitos anos e chamou-o para o governo, onde este inventou uma coisa que ninguém sabia o que era e para que servia” e não resisto a transcrever apenas mais 2 parágrafos do extraordinário texto do Miguel Sousa Tavares. “Gonçalo Ribeiro Telles inventou a política de Ambiente, criou o Ministério (que, depois dele, nenhum governo entendeu mais a sua utilidade) e foi ainda a tempo, na sua governação de lançar as leis sobre a Reserva Agrícola e a Reserva Ecológica Nacional – as quais, apesar de tão esquarteladas, excepcionadas, autarquizadas e transaccionadas em projectos PIN e outras batotas que tais, são hoje o travão que nos resta ao simples fartar vilanagem, em matéria ambiental e territorial”.

       Ainda do Miguel: “Com essa invocada superioridade de quem dizia representar a modernidade contra a estagnação, as ideias de Gonçalo Ribeiro Telles foram chutadas para o caixote do lixo da história, até descobrirem, tarde e a más horas, que, afinal, eram elas a modernidade.”

    Falar do currículo do Gonçalo, será difícil pela sua invulgar extensão, desde o engenheiro agrónomo e arquitecto paisagista pelo I.S.A., ao Sub-secretário e Secretário de Estado do Ambiente, em vários Governos, ao Ministro de Estado e Ministro da Qualidade de Vida, ao deputado, ao vereador da Câmara Municipal de Lisboa, ao Professor Emérito e Honoris Causa pela Universidade de Évora, ao Chanceler das Ordens Nacionais, ao detentor de Grã – Cruzes como da Ordem Militar de Cristo, da Ordem da Liberdade, da Ordem Militar de Santiago da Espada, da Ordem Equestre da Santo Sepulcro de Jerusalém, da Ordem de N.ª S.ª da Conceição de Vila Viçosa, da Ordem de Mérito da República Italiana, da Ordem da Bandeira com rubis da República Popular Húngara, etc. etc. Recebeu dezenas de veneras de Municípios Portugueses e Prémios, como o da Latinidade 2010 da União Latina. Galardoado bastas vezes pela sua imensa obra como arquitecto paisagista de que se destacam os jardins com que dotou Lisboa, sem esquecer o da Gulbenkian que é considerado um dos seus melhores e mais bem concebidos projectos. Agora a ser remodelado novamente sob a sua direcção.

      Gonçalo Ribeiro Telles visitou a Ilha Terceira, que me recorde, pelo menos 4 vezes. Esteve nos Biscoitos, lamentando algumas incongruências no terreno e escreveu um artigo sobre o assunto para a revista "Verdelho".

     É Confrade de Mérito da Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos. E segundo me disse tem muita honra nessa especial distinção, embora pertença a outras confrarias e irmandades nacionais.

Angra, no Dia de Reis de 2012

J.B.B. escreve de acordo com a antiga ortografia

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Semana da Chanfana 2012



 Numa realização da Confraria da Chanfana, em parceria com o Município de Vila Nova de Poiares e os  nove  restaurantes aderentes, realiza-se de 12 a 23 de Janeiro pf na Vila Nova de Poiares, “Capital Universal da Chanfana”, a Semana da Chanfana.
 Paralelamente, nos dois domingos contemplados neste período, decorrerá um Mercado de Produtos Tradicionais, oferecendo aos visitantes uma vasta gama de produtos oriundos destas terras.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Enogastronomia



Na companhia de Luís Mendes, Confrade do Verdelho, visitaram o Museu do Vinho, sustentado, sem tutores, pela independente Casa Agrícola Brum, Francisca e Fernando proprietários do Restaurante Lampião (Évora).

Ainda em território “Da Resistência” encontraram-se com o tranquilo “Donatário” e o generoso “Chico Maria”.


sábado, 7 de janeiro de 2012

20 Anos a Cantar os Reis


Desde do dia 26 de Dezembro de 1991 que o Rancho dos Reis do Grupo de Baile da Canção Regional Terceirense vem mantendo a tradição de “cantar à porta”.

Ontem foi a vez da nossa porta, saudando-nos e desejando-nos um Bom Ano. Obrigado amigos! Igualmente para todos vós.

“Os Três Reis” (vídeo) aqui.



quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Luis Moreno Buj nos Biscoitos



Vindo de Valência esteve nos Açores, na companhia de Menchi Ferrer e do filho Pablo, Luis Moreno Buj, conhecido jornalista da Televisão de Valência - TVV (canal 9), colunista sobre vinhos e gastronomia em “Diário Levante”, “Semana Vitivinícola”, “Wine Week”, entre outros. 

Ao longo da sua carreira, Luis Buj, tem recebido diversas distinções pelo seu trabalho na divulgação do Vinho.

Durante a estada na ilha Terceira visitou o Museu do Vinho da Casa Agrícola Brum, onde viu as típicas curraletas.

Ainda em território "Da Resistência" encontrou-se com o generoso “Chico Maria”.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A Vaca.wmv



Revolução Rural

Autor: Luís Brum 
Colectivo Perspectivas em Work in Progress. Exposições que estiveram patentes ao público até o dia 23 de Dezembro pp na Rua Garrett nº 60-1º andar, Lisboa.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Efemérides açorianas – Janeiro (4)


Angra do Heroísmo - Porto das Pipas

1. 1986- Sai, na freguesia de Santa Bárbara, concelho de Angra do Heroísmo, mais um número da revista “Voz da Serra” – IV ano de publicação.  

2. 1974-Realiza-se o acto de posse do presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, professor Luís Alberto da Silva Soares, que durante o seu discurso referiu: “não é com contestação, com revolta, com crítica destrutiva que se realiza uma obra, pois estas, sabemo-lo bem, apenas conduzem à ruína e à destruição”.

3. 1974- O orçamento ordinário da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo para o corrente ano monta a 26.765 contos.

4. 1998- A Gala “OS MAIS 97” e O Comércio do Porto atribuem à colheita de 1993, classe dos generosos, produzido e engarrafado na adega da Casa Agrícola Brum Lda., o terceiro lugar.

5. 1843- Vindo de Angra dá entrada no porto da Horta o iate português “Livramento”.

6. 1973- Os funcionários dos Serviços Municipalizados de Angra do Heroísmo homenageiam o Subdelegado daqueles serviços Eng.º José Manuel Duarte Paulo Dias, durante um jantar na Estalagem da Serreta.

7. 1974- O n/m “Porto Santo” descarrega no Porto das Pipas em Angra do Heroísmo 4. 191 Garrafas de gás butano.

8. 1971- Chuvas torrenciais caiem sobre a ilha Terceira causando enxurradas em diversas localidades, mormente em Angra do Heroísmo.

9. 1986- Ocorre o X Aniversário da Universidade dos Açores.

10. 1971- A Paróquia das Lajes, concelho da Praia da Vitória, homenageia o casal de professores Alvarina Pimentel Fernandes e Manuel Pimentel Fernandes. 

11. 1971- O estudante João Toste, natural de Angra do Heroísmo, ingressa na equipa principal do Benfica (Basquetebol). 

12. 1979. É colocado na torre da Igreja das Fontinhas o sino maior, fundido em Almada, uma oferta dos fontanhenses.

13.1983- Numa organização do Hotel de Angra tem inicio o II Festival Açoriano de Cocktails.

14. 1976- Encontram-se em Angra do Heroísmo os navios “Bandim”, “Lagoa” e “Horta”.

15. 1917 – É Fundada na Vila da Madalena, Ilha do Pico, a Filarmónica União e Progresso Madalense.

16. 1974- Encerra, no Museu de Angra, a Exposição de Pintura de Diogo Pimentel.

17. 1986- Realiza-se a cerimónia da colocação da “primeira pedra” do novo edifício do Rádio Club de Angra, na Avenida Ten. Cor. José Agostinho.

18. 1974- A Tertúlia Tauromáquica Terceirense Tomé Belo de Castro elege para seus corpos gerentes, João Luís Pamplona dos Reis, Raul Mariano Alves Pamplona dos Reis e Ricardo Jorge Machado Mendes da Rosa, respectivamente Presidente da Assembleia-geral, Presidente da Direcção e Presidente do Conselho Fiscal.

19. 1974- Realiza-se, no Pico da Urze, Angra do Heroísmo, a eleição dos novos Corpos Gerentes da Sociedade Recreativa de S. Pedro Carioca Futebol Clube. 

20. 1974- A fim de estagiar na secção de viticultura da Estação Agronómica Nacional, sobre novas técnicas de enxertia e poda da videira, segue para Lisboa, o Regente Agrícola Santos Costa, destacado no Concelho de Santa Cruz da Ilha Graciosa.

21.1973- Abre na “Galeria Degrau”, em Angra do Heroísmo, uma exposição de Colagens e Desenhos de Rui Aguiar.

22. 1971- Falece em Angra do Heroísmo o Cónego Dr. Américo Caetano Vieira, Reitor do Seminário daquela cidade.

23. 1912- Nasce na Praia da Vitória o Dr. Higino Borges de Meneses, Administrador na Imprensa Nacional – Casa da Moeda.

24. 1845- Escala o Porto da Horta o brigue inglês “Dona Anna”.

25. 1970 – Falece, em Angra do Heroísmo, Catarina Maria Lourenço de Lemos.

26. 1995- Realiza-se na freguesia da Luz, ilha Graciosa, a procissão de Santo Antão.

27. 1974- O Grupo Desportivo da CUF, no dia do seu 37º aniversário, realiza um encontro de carácter particular na Freguesia da Fajã de Cima, ilha de São Miguel.

28. 1999- O Grupo do Partido Socialista propõe na Assembleia Municipal da Praia da Vitória um voto de pesar pelo falecimento do Padre João Caetano Flores, tendo o mesmo sido aprovado por unanimidade. 

29. 1971- Encontra-se em Angra do Heroísmo o perito inglês de Arqueologia Naval e escritor Sydney Wignall.

30. 1974- A Sociedade Atlântida Lusitana de Alga Lda. amplia a sua capacidade de laboração de agar-agar de 120 toneladas para 240 anuais.

31. 1973- Em Angra do Heroísmo o quilo da cebola atinge os 20$00.

Efemérides açorianas - Janeiro
Efemérides açorianas - Janeiro (2)
Efemérides açorianas - Janeiro (3)

Provérbios: JANEIRO