sexta-feira, 30 de março de 2018

CASA DO POVO DE SANTO ANTÃO

PUBLICA LIVRO DE FRANCISCO BORBA

*Jácome de Bruges Bettencourt


Com a chancela da Chiado Editora, saiu em finais de 2017, o livro de Francisco Fernando de Borba (1949-2010) O Topo e as Fajãs do Norte na ilha de São Jorge, (209 p.). O autor, nascido em Angra do Heroísmo, foi batizado no Topo, pelo padre João Jorge Brasil, tendo passado a infância, quase até aos 10 anos, na freguesia de Santo Antão, donde eram oriundos os avós maternos. Estudou na Terceira, onde concluiu, com elevada classificação, o curso Geral de Comércio. Após a aposentação regressa à sua ilha de eleição, instalando-se numa casa que adquiriu nos Biscoitos da Vila da Calheta, recuperada com o carinho que os meios financeiros lhe proporcionaram. 

Falecido no Centro de Saúde da Calheta, após doença de foro oncológico, foi cumprida a vontade própria de ser enterrado em Santo Antão, que tanto amou, e o seu caixão coberto com a bandeira com o escudo real da Casa de Bragança (e de Portugal), como bom Monárquico que sempre foi.  
   
A nossa Amizade nasceu há mais de 50 anos, tendo-o apresentado, por carta, ao Professor Doutor Jacinto Ferreira, de saudosa memória, diretor do semanário lisboeta “O Debate”, de ideologia monárquica, que o convidou a aí colaborar. Aliás, o Francisco Borba deixou em “O Debate” interessantes escritos, como em outros órgãos de comunicação social, com destaque para o “Diário Insular”; “A União” e “Correio de São Jorge”, assim como no Boletim do Museu Etnográfico da Ilha Graciosa.

Teve o rasgo benemérito de doar o acervo da sua biblioteca e outros curiosos bens a diversas instituições públicas locais, como à Escola Básica e Secundária da Calheta, ao Museu de São Jorge e à Casa do Povo de Santo Antão. A direção desta última, recebeu como espólio o original do livro agora em apreço que conseguiu publicar, que sem dúvida, é o melhor agradecimento e homenagem que se lhe pode prestar. 

Há ainda mais duas obras que aguardam publicação, cuja temática é relacionada com a história do antigo Concelho do Topo (que estava planeado sair em 2 volumes) e a freguesia de Santo Antão. 

Estes trabalhos obrigaram-no a muitas horas de leituras e investigação, assim como de conversa com pessoas, a maior parte já desaparecidas, e a centenas de quilómetros percorridos, a pé, por caminhos, muitos desaparecidos, entre a vegetação agreste das encostas da ilha. 

Uma das pessoas que mais se empenhou no surgimento da obra do Francisco Borba foi o seu amigo Paulo Teixeira (antigo Presidente da Junta de Freguesia de Santo Antão e Presidente da Casa do Povo local), um dos que reconheceram nele o valor que muitos lhe negaram em vida. E lembro as suas qualidades como funcionário público competentíssimo e incapaz de prejudicar quem quer que fosse. Foi responsável, anos a fio pela colocação de pessoal docente nos concursos públicos na Secretaria Regional da Educação e Cultura do Governo Regional dos Açores.

De referir os depoimentos que o livro contém, de quem conheceu bem os terrenos que pisava e com ele privou nas suas andanças como amigo, na vida militar (sargento miliciano enfermeiro, mobilizado em Angola), como funcionário administrativo, com longa carreira nos Açores, (reformado na categoria de chefe dos serviços administrativos da Escola Secundária da Lagoa – São Miguel) e até como Administrador de Posto-Região Administrativa de Angola (quadro ultramarino), sem esquecer a sua atividade política. 

E, lembramos que nos bancos da Escola Industrial e Comercial de Angra do Heroísmo, que ocupou o Palacete Silveira e Paulo, o cognominaram de “O Historiador”, reconhecendo a sua apetência para a História de Portugal… 

Acima de tudo era um homem de carácter.

Contou como seus amigos os dois últimos Duques de Bragança, Dom Duarte Nuno e Dom Duarte Pio, D. João Brito do Rio e seu filho Pedro da Luz Brito do Rio, Jácome de Bruges Bettencourt, José Mendonça Brasil e Ávila, arq. Álvaro Dentinho, arq. Gonçalo Ribeiro Telles, Doutor Henrique Barrilaro Ruas, Francisco Jorge Ferreira, Luis Filipe Cota Moniz, coronel Manuel Lamas de Mendonça, Augusto Ferreira da Silva (Augusto Gomes), Paulo Oliveira Teixeira, Cidália Ramada, Eduardo Guimarães e Valter Bento Ferreira, estes os mais chegados.

Aderiu ao P.P.M., logo na fundação e como tal foi candidato em eleições para a Assembleia da República, Assembleia Legislativa Regional dos Açores e Autárquicas, integrando a equipa que planeava a execução das sessões de esclarecimento ideológico. Porém, a desilusão chegaria anos depois, e como muitos, hoje, consideram que aquilo em que os partidos se converteram constitui um anacronismo corporativo e concluía, desiludido: “temos de ser militantes de Causas e não de Partidos”. 

Penso que neste livro valem, por muito peso, as palavras deixadas pela sua segunda filha, Fernanda Isabel, residente em Ponta Delgada, que foi desportista federada e tal como a irmã mais velha, Ana, que vive em Londres, é enfermeira. Ela reconhece que, apesar de certas vicissitudes, alegra-se bastante por ser filha de um grande Homem, de uma pessoa de valores, com caráter suficiente para assumir posições e suas consequências. Um grande trabalhador e operacional, que não vivia de utopias, em que o saber deveria ser útil e não um delírio! Um católico convicto, que ensinou os filhos a respeitar as diferenças do outro sem nunca esquecer quem era. Detentor de uma personalidade e sabedoria excecional, e incrível força. A Fernanda Isabel termina assim: “Pediu desculpa a quem tinha de pedir…. E morreu rodeado de amigos verdadeiros e não de abutres... Quantos de nós terão a sorte de viver assim e poder morrer assim? Assim era o meu Pai…”

De facto é comovedora esta análise da Fernanda, que creio ser comungada pelos outros filhos. 

Relativamente ao livro em si, lamento as gralhas de composição, por deficiente revisão da Editora, sobretudo nos textos iniciais e menos no corpo do livro, talvez por beneficiar de uma leitura do, igualmente falecido, Professor José Mendonça. 

Espero que em próxima edição se corrija tal, pois esta obra é uma notável achega ou contributo para a história do ex-concelho do Topo. 

Ficamos a aguardar a merecida publicação dos dois outros trabalhos que o Francisco Fernando de Borba com empenho nos legou. 

Curvo-me perante a sua memória, e que Deus o tenha em Sua companhia.

Amadora, 19 de Março de 2018 
  

terça-feira, 20 de março de 2018

"II Praia Wine Festival"

Praia da Vitória- Ilha Terceira - Açores

O Eng.º Manuel Botelho Moreira apreciando vinhos 

O "Praia Wine festival" começa a ser um ponto de encontro dos vinhos açorianos, com um destaque assumido para a freguesia dos Biscoitos berço de nectares de elevada qualidade,em meu entender já não é uma promessa mas uma verdadeira certeza, pois tem congregado os produtores, distribuidores e comerciantes de vinhos dos Açores e de outras regiões do Continente com vinhos de qualidade que nos são apresentados com elegância, gosto e degustados no local, é verdadeiramente o oásis dos enófilos. Gostaria de destacar a apreciação do Eng.º Manuel Botelho que fez do Vinho Donatário da Casa Agrícola Brum, produtor engarrafador mais antigo dos Biscoitos e com um historial com mais de 100 anos de cultura da vinha e do vinho e de saber fazer, mantendo-se como uma identidade de referência obrigatória. Descreveu com elegância esta preciosidade, fazendo notar as características únicas do nosso "Terroir" como a maresia, intensidade, volume e acidez que torna este vinho muito fresco e apetecível, a este amigo e conhecedor o nosso obrigado, que nos torne a presentear com a sua presença para o ano. Também é justo um agradecimento especial a um grande amigo, desde a minha infância até aos dias de hoje, que tem sido a verdadeira alma deste festival, e um grande enófilo, estou a falar do Eng.º Luís Mendes.

Miguel Amorim, Enólogo da Casa Agrícola Brum


O Enólogo Eng.º Miguel Amorim,  durante a apresentação dos vinhos tranquilos "Donatário" e "Da Resistência" produzidos e engarrafados na adega da Casa Agrícola Brum (Biscoitos/Ilha Terceira/Açores).

O Eng. Luís Carreira Mendes a alma de mais um "Praia Wine Festival".


sábado, 10 de março de 2018

Compilação da imprensa (73)


Confraria do Vinho de Verdelho dos Biscoitos

In Revista O Escanção  N.º 95
Jornal Oficial da Região Autónoma dos Açores 
III série- nº 6-quarta-feira, 31 de Março de 1993

Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos
Constituição de associação no dia 10 de Março de 1993 Aqui

Outras "Parras" :

Planta da Freguesia dos Biscoitos (ano 1830) aqui

Plantas Vasculares nas Vinhas dos Biscoitos (ano 1971) aqui.

"A vinha perde-se e a população nada ganha" (ano 1994) aqui.

"Região de Biscoitos, nos Açores - Casas em vez de vinhas" - Santos Mota (ano 1994) - aqui.

"Biscoitos: que futuro? "-José Aurélio Almeida (ano 1996) - aqui.

"As Vinha dos Biscoitos" -Bailinho de Carnaval da Freguesia das Fontinhas. (ano 1997) aqui.

Pisa e Mosto (1997) aqui

Sinónimos- Casta Terrantez da Terceira -Aqui

"Uma virada nos Biscoitos"(Açores)- (ano 1998) aqui.

O viticultor açoriano está envelhecido (ano 1998/99) aqui

“Provedor de Justiça dá razão à Confraria” (ano 1999) aqui.

“Museologia de Interpretação da Paisagem Ecomuseu dos Biscoitos, da ilha Terceira” - por Fernando Santos Pessoa (ano de 2001) aqui.

"Carta de risco geológico da Terceira" (ano ano 2001) aqui.

"Paisagem Báquica - Memória e Identidade" - Aurora Carapinha (ano 2001) aqui.

“A Paisagem Açoriana dos Biscoitos” - por Gonçalo Ribeiro Telles (ano 2002) aqui.

"Fadiga sensorial" (ano 2007) aqui.

"Defender curraletas!" (ano 2007) aqui.

"Tutores" (ano 2007) aqui.

"Rememorando as origens dos Biscoitos nos séculos XV e XVI"- por Rute Dias Gregório (ano 2008) aquiaqui e aqui.

“A Vinha, o Vinho dos Biscoitos e o Turismo” - por Margarida Pessoa Pires (ano 2009) aqui.


"O Aditivo"- por Francisco dos Reis Maduro-Dias -ano de 2009 Aqui

A Casa Agrícola Brum tem nova administração - ANO de 2010 AQUI

Biscoitos de Lava para os “sete magníficos” (ano 2011) aqui

"Acerca do vinho" -por Francisco Maduro-Dias (ano 2011) Aqui

Sócios da associação de viticultores da ilha Terceira -  Adega Cooperativa dos Biscoitos C.R.L.- não recebem há mais de 6 anos- Ano de 2011 - Video RTP  Aqui

Produtores engarrafadores e produção de vinho nos Biscoitos em 2012-  Aqui

Produção de vinho nos Biscoitos em 2015 - Aqui

Garrafa Comemorativa do 125.º Aniversário da Casa Agrícola Brum - 2015 - Video Aqui

quinta-feira, 1 de março de 2018

EFEMÉRIDES AÇORIANAS - MARÇO (10)


Ponta Delgada – 1994 - 1.º Encontro das Instituições Museológicas dos Açores. Na foto (gentilmente cedida pelo Museu Carlos Machado), António Maia Nabais (intervindo); Rui de Sousa Martins; Cristina Gonçalves; Luís Mendes Brum; Padre João Caetano Flores; Reis Leite; Francisco Lima, entre outros.

1. 1898- É publicado o primeiro número do Boletim da UPEC – União Portuguesa do Estado da Califórnia (Sam Leandro – EUA).

2.1976- Uma organização industrial micaelense ligada a capitais ingleses está a instalar nos arredores de Ponta Delgada equipamento para armazenagem de pedra pomes que será extraída da zona das Feteiras, ilha de S. Miguel.

3.1917- É inaugurado em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, o Teatro Ideal.

4.2005- Realiza-se no Palácio dos Capitães Generais, em Angra do Heroísmo um Recital de Piano com Nima Sarkechil.

5. 2012- Falece o Sr. Manuel Coelho Machado, que durante muitos anos se dedicou ao Artesanato da Espadana (Phormium tenax) na freguesia dos Biscoitos (Terceira).

6.1840-  Vindo de Havre chega  à Horta o brigue francês Intrepide Corse.

7.1993- Visita o Museu do Vinho dos Biscoitos da Casa Agrícola Brum o conspícuo etnólogo Henrique Coutinho Gouveia, tendo ficado “favoravelmente impressionado com as características de modernidade” daquele espaço.

8.1974- O S. C. Lusitânia é goleado pelo F.C.Porto, no Estádio das Antas (jogo para a Taça de Portugal) por oito bolas a zero.

9. 2013. É inaugurada em Ponta Delgada  a sede  do Grupo Motard Sempre Livre.

10.2015- Os primeiros Grão-mestres da Confraria do Vinho de Verdelho dos Biscoitos recordam o 22.º Aniversário da mais antiga associação báquica dos Açores no Restaurante “O Caneta”.

11. 2013- Realiza-se, em Ponta Delgada,na Universidade dos Açores – Anfiteatro C o I Encontro Daniel de Sá.

12.1971- Após quarenta e oito anos de serviço deixa de prestar serviço no Laboratório Distrital de Angra do Heroísmo, por limite de idade (70 anos),o Sr. Mateus Inácio Gomes, natural da freguesia da Ribeirinha. Como curiosidade o Sr. Mateus foi o primeiro dador de Sangue na Ilha Terceira.

13.1971- A “Açortur” assina em Lisboa a escritura de compra à “Western Uinion” da propriedade que esta companhia possui na Horta. 

14.2016- A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, com o apoio da FRUTER, promove a Feira da Flor.

15.1964- É erigido na cidade de São Leandro (Califórnia) o Monumento ao Emigrante Açoriano nos E.U.A., da autoria do escultor micaelense Numídico Bessone.

16. 2003- O Primeiro-ministro de Portugal, Durão Barroso recebe na ilha Terceira (Lajes) o Presidente dos E.U.A. George W. Bush e o Presidente do governo espanhol José María Aznar.

17.1877- A Camisaria Açoriana de Santos & Nogues sita à Rua de Jesus , 18 em Angra do Heroísmo, recebe grande sortimento de roupa branca, tanto para homem como para senhora e crianças, como camisas coleirinhos, punhos, ceroulas, assim de linho como de algodão, golas, punhos, penteadores, saias, calças, chambres, casacos , mangas etc., bordados e lisos.

18. 2000- A Confraria do Vinho de Verdelho dos Biscoitos faz-se representar no 10.º Aniversário da Colegiada dos Enófilos de S. Vicente (Lisboa).

19.1875- Um funcionário da delegação em Ponta Delgada ao Serviço Nacional de Emprego desloca-se ao distrito da Horta, mais precisamente à Ilha do Faial, tendo em vista a passibilidade de colocação de mão de obra micaelense naquela Ilha do Grupo Central do Arquipélago.

20. 1882- Reúnem-se no Governo Civil de Angra, os primeiros Bombeiros Voluntários daquela cidade. Afonso de Castro, chefe do Distrito, é o presidente honorário e Miguel de Barcelos o presidente da direcção.

21.1994- Tem início no Museu Carlos Machado na cidade de Ponta Delgada o 1.º Encontro das Instituições Museológicas dos Açores.

22.2013- realiza-se um concerto a fim de  angariar fundo para as apoiar as vítimas do temporal de 14 de março p.p. em Porto Judeu. Sobem ao palco os artistas Kit, Rita Sousa, Nuno Melo, Luís Moreira, Rui Correia, Bruno Achadinha, Susana coelho, Luigi Depadua, D4Vox Project.

23.1982- Realiza-se na Praça de Toiros Vitória, instalada na Praia da Vitória, um festival taurino. 

24.1994- Participantes no 1.º Encontro das Instituições Museológicas dos Açores visitam a Ribeira Chã, ilha de S. Miguel. É inaugurado o Museu do Vinho daquela Freguesia, assim como uma Exposição de Vinhos de Qualidade dos Açores e respectivas provas.

25.2009- Tem início nas Portas do Mar ,na cidade de Ponta Delgada, o I Festival Chá do Atlântico.

26. 1876 – Nasce na Praia da Vitória Gervásio da Silva Lima, conspícuo poeta, historiador. Escritor que se dedicou a todas as Ilhas no seu livro “A Pátria Açoreana”.

26.1971- Realiza-se na Faculdade de ciências de Lisboa uma sessão científica tendo como orador o geólogo Dr. Victor de Lacerda Forjaz, assistente da cadeira de Geologia e especialista no vulcanismo das Ilhas dos Açores.

27.2005- Realiza-se o primeiro Baile Temático no Coliseu Micaelense, Sons dos anos 60.

28.1995- O Museu do Vinho dos Biscoitos da Casa Agrícola Brum participa no Colóquio APOM 95 – Associação Portuguesa de Museologia – comemorativo do 30 Aniversário da APOM - que decorre no Museu Municipal Dr. Santos Rocha na Figueira da Foz.

29.2015-  O Presidente do Governo dos Açores inaugura na cidade da Ribeira Grande, o Arquipélago – Centro de Artes Contemporânea.

30. 2001- É aprovado o Regulamento Interno da Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos.

31. 2016- Nasce em Angra do Heroísmo Laura de Brum Sotelo Castañeda.

Fonte: Arquivos de José da Silva Maya, Álvaro de Castro Meneses, “Revista Ilha Terceira” e “Almanaque Açores”.