terça-feira, 15 de julho de 2008

Viagem ao tempo de Caravelas e Naus

Desde 3 até 13, deste mês de Julho, viajou-se no tempo nas ilhas São Miguel, Faial e Terceira, através de um espectáculo de "reconstituição histórica... "de uma escala na rota das índias.

Na baía de Angra tivemos a oportunidade de ver a caravela “Vera Cruz” (réplica) de nacionalidade portuguesa e a nau “Vitória” (réplica) de nacionalidade espanhola.
A “Vera Cruz” é uma réplica das caravelas do século quinze e é propriedade da Associação Portuguesa de Treino de Vela, tendo sido construída nos estaleiros de Vila do Conde.
José Henrique Pires Borges, conhecido investigador e jornalista no Verdelho, nº 5 Ano 2000, página 4 a 5 - VERDELHO BARCO DOS BISCOITOS PARA AS ARMADAS DAS ÍNDIAS...
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O “Verdelho” e a Provedoria das Armadas
A maior mancha de “biscoitos” na ilha de Jesus Cristo, a Terceira, fica na freguesia anteriormente denominada de “paroquial de S. Pedro do Porto da Cruz” e, também, do: Senhor S. Pedro dos Biscoitos do Porto da Cruz”, onde morava Pero Anes do Canto, que mais tarde é designado Provedor das Armadas. É nesta freguesia, que ele compra uma propriedade de grande produção de vinho (...)
Controlo do Atlântico
Entretanto, importa salientar o aspecto histórico, nomeadamente a importância das ilhas atlânticas dos Açores. Descobertas no século XV, possivelmente nas viagens de retorno da exploração dos portugueses, da costa oeste africana, buscaram os ventos de oeste predominantes, mais a norte, encontrando, provavelmente, as ilhas açorianas.
A sua localização na rota de retorno da descoberta de novos continentes e do consequente acesso às suas riquezas envolveram as ilhas no intrincado jogo político e militar pelo controlo do Atlântico.
Vasco da Gama...
A importância geoestratégica dos Açores acentua-se com a descoberta do Caminho Marítimo para a Índia pelo navegador Vasco da Gama, em 1499, onde morre o irmão Paulo da Gama, e, então a baía de Angra, situada no coração do Atlântico Norte, protegida dos ventos predominantes do oeste, torna-se ponto de escala “do mar poente” nas questões de segurança, assistência hospitalar, reparação das naus e “refresco das armadas das Índias”.
Mas, não só a coroa portuguesa estava interessada na base naval que foi a baía de Angra, nomeadamente Filipe II de Espanha, que para protecção das “armadas da rota da Prata da América do Sul”, envia o Marquês de Santa Cruz tomar a ilha em Julho de 1583.
O Vinho de Verdelho e o “refresco das Armadas das Índias”
Entre os produtos essenciais ao abastecimento das armadas figurava o vinho “Verdelho”, porque contendo alto teor de álcool, geralmente entre os 12º e 14º, nos melhores anos, necessitava do benefício de aguardente, porque era submetido às quente temperaturas do porão das embarcações, além, de amadurecer até meados de Abril, quando, invariavelmente, começavam a arribar as armadas das Índias.
Barco – o meio de transporte
A produção do vinho, assim como, outros produtos agrícolas, necessitavam de serem comercializados em Angra, no entanto, o transporte pela via terrestre era difícil e, muitas vezes, intransponível, para os carros de tracção animal. “Naturalmente, que a via mais fácil era o mar. «Tudo indica que o transporte marítimo foi o meio privilegiado para transportar do vinho “Verdelho” produzido na freguesia de” Senhor São Pedro dos Biscoitos do Porto da Cruz” para o porto de Angra.»
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BDU: Recomendamos a leitura integral no referido Boletim da Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos.
Já nos referimos ao vinho (não "tinto" de produtores directos, o conhecido vinho americano, morangueiro ou nos Açores denominado de "vinho de Cheiro", estes só apareceram nas ilhas açorianas só após a invasão do filoxera , cerca de 1870... e nem constavam das ementas medievais!!!) que abastecia as Caravelas e as Naus aqui

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